A Casa da Cultura – Espaço Guaraoby, da UEMS, recebeu os alunos da Escola Lacui Roque Isnard, na Aldeia Bororó, durante a tarde de sexta-feira (05), para a oficina “Mba’e Kuaa – Tecnologias para um futuro ancestral/Abril Indígena”, onde as crianças puderam ter uma vivência com tecnologias multimídias. Esse evento fez parte do pré-lançamento da exposição “Mba`e kuaa: Saber – fazer Kaiowá e Guarani” que fica na Casa da Cultura até 19 de maio.
Cerca de quarenta alunos e alguns rezadores indígenas fizeram parte da atividade. A Coordenadora da exposição, Fabiana FernandesIDAC/DCEL-PROEC/Casa Da Cultura/UEMS), explica que esta oficina apresenta a visão dos nhanderu e nhandesy, rezadores Guarani e Kaiowá, em forma de vídeo 360, trazendo suas reflexões sobre a ecologia, a tecnologia e o fim do mundo. “Essa oficina oferece um encontro imersivo com a visão de xamãs Guarani e Kaiowá, apresentado em forma de vídeo 360 no óculos de realidade virtual, nos convidando a conhecer um outro modo de pensar a natureza, e um outro modo de pensar a tecnologia, abrindo um caminho para outros modos de pensar – e criar – o futuro. Mba’ekuaa é a palavra Guarani para “tecnologia”, “conhecimento técnico” ou “saber-fazer”.
Após a interação das crianças com os rezadores e com os óculos de realidade virtual, os alunos também puderam desenhar sobre o que aprenderam e essas artes passaram a fazer parte da exposição.

A Pró-reitora de Extensão, Cultura e Assuntos Comunitários, Érika Kaneta Ferri, destaca que é uma honra para a UEMS receber essa exposição fotográfica feita pelos anciãos, feita pela comunidade. “Acho que as imagens por si só representam um pouco da realidade desses povos, a importância da gente manter essa cultura viva de também valorizar a nossa cultura sul-mato-grossense e os nossos povos indígenas. Para nós enquanto Universidade, fazendo esse papel que é disseminar essa cultura, esse momento está fortalecendo isso, então a universidade tem que estar aberta sempre, para essa relação com as comunidades indígenas. É um momento da universidade aprender mais sobre os povos indígenas do nosso Estado e o espaço da Casa da Cultura é um espaço de diálogo, um espaço da comunidade, incluindo todos os povos”, disse a docente.
Matheus Fernandes, Chefe da Divisão de Cultura da UEMS, ressalta que a maior importância da exposição é colocar os povos indígenas como protagonistas da própria história, “não é uma posição qualquer que a UEMS está fazendo, a UEMS está mediando no processo, quem tá fazendo a exposição são os curadores indígenas mesmo, eles que construíram a exposição, eles que deram opinião sobre a montagem das fotos, sobre a montagem dos objetos, então a gente está entendendo que eles são protagonistas. A ideia é que a gente converse, dialogue o ano inteiro com eles, não apenas em abril, porque eles fazem parte da cultura sul-mato-grossense, são parte da cultura ou é a própria cultura mato-grossense em jogo aí”.
A professora de artes Ana Carolina Lima, da Escola Lacui Roque Isnard, na Aldeia Bororó, acompanhou os estudantes e disse que “é muito importante para elas verem que a cultura deles não está sendo representada de qualquer forma, que a vida deles tá sendo representada conforme realmente eles vivem, não o como que o livro passa. E para eles também se identificarem com o que tá acontecendo, se identificar com ser indígena”.

Sobre a exposição
A exposição temporária “Mba`e kuaa: Saber – fazer Kaiowá e Guarani” fica na Casa da Cultura – Espaço Guaraoby até 19 de maio, no horário de funcionamento: segunda à sexta: 7h30 às 21h30 | Sábado: 8h às 12h – na R. Monte Alegre, 1955 – Vila Progresso, Dourados. Para agendamentos de grupos entre em contato por meio do e-mail: dcel@uems.br; ou do telefone: 67 -3902-2636.
A exposição “Mba’ekuaa: O Saber-Fazer Guarani e Kaiowá” apresenta uma pequena seleção dos registros produzidos para o Acervo Multimídia Guarani e Kaiowá, uma colaboração global entre a Kuñangue Aty Guasu, o Instituto de Desenvolvimento da Arte e da Cultura (IDAC) e o Laboratório de Antropologia Multimídia da Universidade de Londres (UCL MAL). O projeto é realizado em parceria com o British Museum’s EMKP no Reino Unido e tem como foco documentar os processos materiais e os conhecimentos técnicos através dos quais as casas de reza Guarani e Kaiowá (Oga Pysy) são construídas, e as práticas rituais que estas estruturas possibilitam.
O projeto também interroga os processos materiais de conhecimento técnico e as relações sociais através dos quais os acervos de patrimônio cultural são construídos e apresentados, experimentando com mídias digitais de imersão sensorial como RV/360 e som ambisônico, o registro e a busca de novas relações colaborativas com as comunidades locais.
Os eventos têm o apoio da Divisão de Cultura Esporte e Lazer, da Pró-reitoria de Extesão, Cultura e Assuntos Comunitários (PROEC) da UEMS; Casa da Cultura – Espaço Guaraoby; University College London, Mal-Ucl, The British Museum’s Endangered Material Knowledge Programme (EMKP), UCL Grand Challenges, UCL Global Engagement, The UCL Centre For Critical Heritage Studies.