O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, afirmou nesta segunda-feira (5) que a comissão especial que discute o marco temporal na demarcação de áreas indígenas é uma “experiência pioneira” no tribunal que busca “solução consensual para um problema complexo”. O presidente do Supremo defendeu o diálogo.
“Conciliação, sempre que possível, é melhor do que conflito”, afirmou.
Barroso discursou na abertura dos trabalhos da comissão, que vai buscar um consenso sobre o tema.
Audiência de conciliação sobre marco temporal para terras indígenas começou nesta segunda (5) no STF. — Foto: Fernanda Vivas/TV Globo
O presidente do Supremo pediu desculpas a representantes das comunidades indígenas que indevidamente foram barrados na porta do tribunal. Afirmou que foi um “erro grave da segurança”.
Barroso informou que o Supremo vai aguardar algumas semanas pela busca de um acordo e que, se isso não for possível, o caso vai a julgamento.
“Se não houver acordo, o tribunal julgará. Ninguém deve negociar aqui achando que tem vitória garantida”, afirmou o presidente do STF.
Palavra do relator
Na abertura dos trabalhos, o relator das cinco ações que questionam a lei do marco temporal, ministro Gilmar Mendes, afirmou que a questão é complexa e não será resolvida “apenas por uma decisão judicial”.
“Esse país comporta todos nós, em seus múltiplos modos de vida e valores. Independentemente do resultado da discussão, seu conteúdo será submetido ao crivo do plenário do Supremo”, declarou.
“Não há pacificação social com imposição de vontades e de visão de mundo”, prosseguiu o ministro.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2024/R/m/7YbHwQTu6oLCNeyJ9QBQ/ministro-gilmar-mendes-pediu-mais-tempo-para-analisar-o-caso.-andressa-anholete-sco-stf-.jpg)
Relator do caso, o ministro Gilmar Mendes suspendeu os processos e abriu a conciliação sobre o tema. — Foto: Andressa Anholete/SCO/STF
Em abril, o ministro suspendeu todos os processos na Justiça que discutiam a constitucionalidade da lei aprovada em 2023 que fixou o chamado marco temporal. Na mesma decisão, Mendes abriu a conciliação que começou efetivamente nesta segunda.
“Considerando o tamanho do Brasil, é possível cumprir a Constituição demarcando os territórios indígenas sem desrespeitar as situações fáticas consolidadas no tempo e de boa-fé”, completou.
Mendes afirmou que o tribunal jamais admitirá solução que não contemple a Constituição.
Situações de violência
O representante da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Maurício Terena, foi o primeiro a falar. Ele leu um pedido apresentado nos processos de suspensão da lei do marco temporal.
Terena argumentou que a falta de suspensão da legislação tem trazido situação de grave violência e citou o caso de Mato Grosso do Sul, com recente conflito entre indígenas e fazendeiros.